Vida de Artista
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DOIS VEXAMES

guttemberg guarabyra

 

Em Bom Jesus da Lapa estudava no lendário GBJ, Ginásio Bom Jesus, dirigido pelo não menos lendário professor Antônio Barbosa. Com muito orgulho, já exibia meus dotes rítmico-musicais bolando arranjos para serem executados pela bateria escolar que se exibia nas paradas de 7 de setembro. Passei todo o primeiro semestre em ensaios, aprimorando as quebradas, paradinhas e outras peripécias que seriam inteira novidade a surpreender a praça pública no próximo Dia da Pátria. Ensaiei todo o tempo na caixa, mas no dia do desfile coube-me o bumbo, que ninguém queria executar. Na verdade era meio bumbo, já que, para economizar, o colégio o havia partido em dois. A outra parte já havia se perdido no tempo e nos almoxarifados e contávamos apenas com aquela metade redonda, grande, incômoda, que me tapava a visão e me obrigava a desfilar com cuidado para não tropeçar em alguma falha do calçamento.
Entramos garbosos na praça e iniciamos o desfile. Cem metros adiante o couro do bumbo furou, estourou, explodiu, deixando-o fora de combate, do som, e transformando-se apenas num peso morto que tive de carregar, sob os risos da plateia, até o fim da parada. Acontece. Que fazer.
Segundo vexame
O Presidente da República visita Bom Jesus da Lapa. Alvoroço, preparativos, cidade enfeitada, faixas, bandeiras, e no GBJ Antônio Barbosa explica-nos a estratégia para que nosso colégio, bem mais humilde do que o colégio das freiras, São Vicente, também se destacasse na recepção. "O São Vicente...", instruía Barbosa, "...naturalmente vai ter a primazia de receber o presidente na pista do aeroporto. Mas nós vamos nos posicionar na porta de saída por onde ele vai ter que transitar para chegar ao carro que vai levá-lo até a cidade. Vamos nos perfilar dos dois lados da passagem. Gut (eu) vai ficar com a bateria à esquerda. Os outros alunos à direita. Eu vou ficar lá dentro vigiando o momento em que o presidente vai passar pela saída e, ao meu sinal, Gut ataca a bateria. Com força. E todo o colégio aplaude". Perfeito.
Dia da chegada, nos posicionamos. O desembarque de Jango, era João Goulart o presidente, se aproximava. O pequeno aeroporto estava mais do que lotado. Mesmo em face dos empurrões de quem gostaria de ver o presidente mais de perto, mantivemos nossas posições. Súbito, uma correria em direção ao pátio de estacionamento das aeronaves. O Presidente chegara. Avisei a todos que ficassem atentos. Recebido o sinal do professor, atacaríamos conforme o combinado. Porém, mais súbito ainda, Jango surgiu sob o arco da porta de saída. Eu desesperado esticava o pescoço no intuito de localizar Antônio Barbosa e receber o ansiado sinal de ataque. Nada. O presidente desce os poucos degraus, vai passar à nossa frente, eu, paralisado, aproxima-se de mim e discretamente ordena: "Bota isso pra tocar, moço". Ataquei.
Cerca de dois meses após a cena, recebo uma carta com o carimbo da Presidência da República. Alguém julgara, sem que eu soubesse, que se o presidente me havia concedido a honra de ter falado pessoalmente com ele, seria muito natural sugerir-lhe que me arranjasse um emprego na Petrobras. A carta era uma resposta ao pedido. Indicava que eu deveria me submeter a um concurso público.
Por esse vexame eu não precisava passar. 

 

 

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